Gabinete de curiosidades

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ZEBRA: O GABINETE DE CURIOSIDADES

ANIMALIA. VEGETALIA. MINERALIA

 

O Espaço Zebra – ateliê e galeria do designer Renato Larini – se transformará em um gabinete de curiosidades para a edição de 2015 da Design Weekend, que acontece entre 12 e 16 de agosto em São Paulo.

 

Assemblages, objetos, obras em madeira, serigrafia e fotografia, além de móveis e luminárias, compõem a nova coleção, criada a partir de madeiras de refugo, caixas de bacalhau e peças descartadas e garimpadas por Renato.

 

Além de apresentar a nova série, o galpão, localizado no bairro do Bixiga, no centro de São Paulo, será usado como um site specific, uma living gallery, propondo uma imersão no universo dos gabinetes de curiosidades e uma experiência sensorial aos visitantes com uma instalação sonora que remeterá à construção das peças, cheiros vindos das plantas expostas e queimadas como defumadores, pequenas poções para degustar a partir das técnicas apotecárias.

 

Ao resgatar o conceito, a forma e o conteúdos dos gabinetes de curiosidades, Renato reforça sua estética contrária ao minimalismo e ao descarte, garimpando ao redor do seu estúdio não apenas objetos para resignificá-los, mas também recuperando a memória e a história.

 

“A nova série busca resquícios de uma civilização, se apropria de fragmentos da industrialização acelerada, da memória e história descartadas como lixo e que eu encontro em ferros velhos, depósitos e até caçambas”, afirma Renato.

 

Para o design atual, o Zebra – Gabinete de Curiosidades apresenta uma coleção inspirada no reaproveitamento de materiais, na sustentabilidade e no valor histórico das peças. Olha para trás para buscar um conceito fundamentado na importância da história, da ciência e da arte – dialoga com o passado para propor novas ideias para o presente. Ao mesmo tempo, promove um cenário capaz de instigar os sentidos, promovendo o design sensorial e a experiência.

 

Os gabinetes de curiosidades tiveram um papel fundamental nos séculos XVI e XVII como predecessores dos museus: nesses espaços quase mágicos, eram armazenados maravilhas garimpadas e que, juntas, formavam coleções exóticas, curiosas, procedentes de longas expedições exploratórias e que pretendiam fazer um recorte do mundo através da divisão: animalia, vegetalia e mineralia.

 

 

“Não procuro a limpeza escandinava, ou a assepsia , mas busco, inserido na cidade, uma estética que não segue tendências universais, mas introspectivas, autofágicas – de uma São Paulo que tenta se reconstruir a partir de seus próprios escombros”, afirma Renato.

 

 

O GABINETE DE CURIOSIDADES, de Renato Larini

Por Barbara Gancia

O tempo parou no gabinete do dr. Larini.

Você está dentro do quarto escuro ampliando imagens que brotam da sua cabeça.

O dr. Larini vai catalogando suas ideias e ligando cada uma a condutores de cerâmica que preenchem os porta-retratos da memória coletiva da família.

A manivela que movimenta as sinapses está amarrada por um fio ao dínamo que move montanhas.

A ordem do gabinete está na predisposição criteriosa de cada sensação recolhida em tubos de ensaio de orquestra. Seu garimpo são os anos.

O rotor deve girar no sentido inverso da manivela.

O balé que as engrenagens promovem irá emendar todo o entulho com massa encefálica de rejunte.

Até que na tela da projeção de neuroses surja nitidamente desenhada a sua escolha de arte de defesa pessoal.

A cada novo encontro, o dr. Renato emite uma passagem de primeira classe na viagem de Volta ao Mundo em milhares de corpos estranhos.

Mas você reconhece seus rostos.

As imagens que surgem agora são as mesmas que brotavam da imaginação de seus antepassados.

Não é uma nave espacial, são os cogumelos que Bosch usou para fazer refresco.

Sirva-se.

Lapidar o monstro, esculpir o medo, domesticar a tentação, a arte e o ofício do dr. Larini são justamente esses.

Só que ao contrário. E também no sentido inverso.

Seu esforço braçal produz matéria que faz entrever na sua imagem refletida no bule um passado que não viveu.

Mais uma página virada.

“Professor Edison, eu presumo?”, o dr. Renato levanta a pedra no jardim e revela a abertura da trilha que leva até a cachoeira.

A umidade das plantas cria uma névoa que turva a visão como catarata.

Você não sabe mais se está jogando ou se inverter o pensamento é o jogo.

Vamos brincar de peão, boneca? O peão emenda a porca na biruta que é tragada pelo vento.

Sua memória despedaça, estilhaços de vidro e louça voam pelos ares.

A fissura está aberta, todo o medo e a dor agora vão se esvair.

O olho clínico e o corpo plástico do doutor iniciam um movimento. Logo eles estarão dançando com Thoreau ao compasso do ruído da turbina.

Renato Larini mostra a que veio.

Ele é o colecionador de ideias, um artesão da imaginação, o inventor da eletricidade entre corpos de letra e investigador da osteoporose do tronco do composto de carbono.

Qual a trilha sonora do seu momento marcante?

A memória é um desassossego a ser calibrado?

O artesão coloca a lupa sobre a dobradura.

É hora de completar a quantidade de dinamite que vai pelos ares.

 

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