Bestiário – 2016

“É a estética do cão, seres do pós apocalipse, transfigurados, um carnaval sem máscaras, metade humano/metade besta, uma espécie de autoretrato do homem moderno.

Uma selfie sem filtros.”

O artista plástico Renato Larini apresenta a exposição Bestiário.

Composta por 30 telas, a mostra busca resgatar os seres imaginários que vivem na nossa memória da infância, na literatura em obras como as de Jorge Luis Borges e Julio Cortázar, e que são também representados no nosso cordel.

Os bestiários eram como catálogos manuscritos medievais que reuniam informação sobre seres reais e fantásticos. Escritos por monges, quase sempre continham com uma mensagem moralizadora, religiosa. Apesar da referência, o catálogo alegórico proposto por Larini é profano, e está mais próximo dos seres do Manual de Zoologia Fantástica de Borges – uma enciclopédia de entidades que intervêm nos assuntos dos homens, como as anfibesnas, as valquírias e os catóblepas.

Partindo da colagem, Larini produz seus seres ou “bestas” mesclando imagens de partes de animais, instrumentos cirúrgicos, utensílios de cozinha, ilustrações de livros de botânica e da fauna, fotos do corpo humano em alto contraste, entre outras para formar um zoológico lúdico e crítico.

“Os seres imaginários, monstros, fadas , unicórnios habitavam nossa infância e matamos todos eles para uma vida sem mito, sem lúdico. Viramos máquinas de um capitalismo no qual somos quase que animais – as mulas do passado, os cachorros adestrados , as serpentes saindo da cesta ao som da flauta, o tigre pulando pelo círculo de fogo. Minha intenção é mostrar, através dessas bestas, uma metáfora do homem moderno, revisitado sem mascara”, diz Larini.

Para a produção das obras em grande formato, o artista parte da colagem para a criação dos seres e depois usa técnicas mistas de serigrafia, xilogravura, desenho e pintura nas telas.

Apesar da estranheza inicial provocada pelos seres – alguns que remetem inclusive a brasões – as bestas criadas pelo artista são tão próximas da realidade que acabamos por querer acariciá-las depois de um passeio pelo zoológico Bestiário proposto por Larini.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado